terça-feira, 9 de setembro de 2008

O VENTO QUE FAZ CESSAR A SOLIDÃO.

Lembro-me muito bem...
Era uma tarde de primavera,
O céu azul cintilava,
Soprava a brisa refrescante...
Crianças sorrindo,
Corriam soltas no parque.

Árvores frondosas de troncos seculares,
Contavam mil contos sem fim...
De muitas vidas, de tantos amores...
Ao som do vento que embala,
Aquele lugar dos meus sonhos!

Por um instante...a alegria me envolve,
Nas vibrações daquele bosque,
De encanto da minha juventude.
Refrigera minh’alma, alimenta meu coração!

Ali, nosso primeiro inesquecível encontro,
De uma eterna tarde de flores multicores.
Caminhamos entre folhas e gramas verdejantes,
Embalados pelo vento que cantava,
Mais uma grande história de amor!

Por apenas uma tarde...bela tarde!
Intensamente nos amamos, nos beijamos,
Entre os lírios e os jasmins...
Segredos guardados confidenciamos.

E na turbulência das emoções,
Que faz parar o tempo e silencia a dor,
Juras de amor ecoam no espaço infinito,
Leva pra longe a solidão!

Porém à noite chega...
E com ela, a morte sorrateira,
Sem piedade cumpre impassível sua missão!
Nem um minuto há mais a esperar...

Muitos anos se passaram...
Desde àquela mágica tarde de primavera.
Para sempre você se foi...

Mas...bem sei que sabes,
Guardo em mim, sinceros afetos e carinhos,
Que plantou o fogo no meu coração,
E o vento altaneiro que faz cessar a solidão!


- Maria Alice de Oliveira Pinto -
Tarde de 08/09/2008

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